quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Olá a todos!

Começo esta participação no Zona de Decisão cumprimentando todos os demais camaradas (palavra não associada neste contexto a qualquer filiação partidária) deste desafio.

Procurarei abordar aqui algumas temáticas e desenvolver alguns dos textos de opinião quinzenal no Diário de Leiria. O de amanhã, que antecipo aqui, é sobre a visita de Aminetu Haidar a Portugal.

Agradeço ao Tiago Mendonça pelo convite.

Um abraço a tod@s

Congresso Nacional (1)

O Congresso Nacional da JSD, realizar-se-á nos dias 26,27 e 28 de Novembro. O Congresso Nacional da JSD, para além de eleger os novos orgãos nacionais da Juventude Social Democrata, deverá servir também para rever os estatutos da JSD, pelo que adivinha um congresso bastante importante para a estrutura em que milito, mais a mais, tendo em conta o actual momento que o País atravessa, e o papel muito importante que a JSD pode e deve assumir, tendo em conta esse enquadramento.
         Em minha opinião, o caminho que as juventudes partidárias de um modo geral tem trilhado, apresenta-se com muito perigoso, já que, todos nós somos levados a reconhecer, que com um ou outro caso pontual a divergir, a realidade evidencia um afastamento progressivo dos jovens em relação à política. Assim, a JSD tem agora a oportunidade de colocar um ponto final nesse caminho, e, ao invés, de fazer um pequeno “upgrade” das práticas que tem seguido ao longo dos últimos anos, pode mesmo fazer uma “revolução” no seu modos operandi e dessa forma tornar-se uma estrutura mais próxima e mais importante para os jovens do nosso país.
         O Congresso Nacional da JSD, reúne-se, ordinariamente, de dois em dois anos, sendo o modelo eleitoral similar ao que vigorava no PSD, antes da implementação das directas: Cada secção tem um número de delegados, que são rateados consoante o número de militantes inscritos nessa mesma secção, num total de 600. Esses 600 Delegados, conjuntamente com as inerências existentes, votam nas listas candidatas aos vários orgãos nacionais (Conselho de Jurisdição Nacional, Conselho Nacional, Mesa e Comissão Política Nacional), sendo que, evidentemente, vence a lista que obtiver mais votos.
         Enfim, só pelo que acabei de afirmar, já tínhamos vários tópicos de análise, vejamos:

  • Será que o modelo de rateio dos delegados pelas secções, votando em Congresso Nacional os representantes de cada secção é um modelo melhor que o sistema de Directas?

  • Aceitando o modelo de rateio dos delegados pelas secções, será que o critério deveria ser unicamente o número de militantes de cada secção?

  • Será que faz sentido que as inerências tenham direito de foto?

  • E enfim, se entrarmos na matéria da revisão estatutária, matéria que me é muito grata, muitos mais assuntos poderíamos discutir, tais como: A livre militância, a limitação de mandatos, a incompatibilidade de exercer orgãos executivos simultaneamente, pelo menos, no plano distrital e nacional, a questão da expulsão definitiva dos militantes, enfim, uma vasta panóplia de questões práticas e que afectam directamente o funcionamento da JSD. Mas também questões de matéria mais teórica/programática, como sejam os princípios fundamentais e as tarefas primordiais da nossa estrutura.

  • Por último, evidentemente, tem interesse uma análise das duas candidaturas em disputa eleitoral e, o inerente balanço do mandato da última comissão política nacional.

Não sendo um compromisso, assumo o objectivo de convosco partilhar a minha opinião, mais ou menos desenvolvida, sobre as várias temáticas, pelo que segue o meu plano de textos sobre esta temática:

- Congresso Nacional (1) – Introdução
- Congresso Nacional (2) – O Modelo escolhido para a eleição dos orgãos nacionais
- Congresso Nacional (3) – Revisão Estatutária
- Congresso Nacional (4) – Balanço do mandato da actual CPN
- Congresso Nacional (5) – Das Candidaturas em especial.

Tentarei, em tempo útil, debruçar-me, sobre todos estes aspectos. Contudo, devo lembrar, que esta partilha só terá algum efeito útil, se for isso mesmo, uma partilha. É absolutamente importante que participem através das caixas de comentário, de forma a engrandecer esta troca de opiniões, sobre temas tão importantes para a JSD. Relembro ainda, que a maioria destes temas são absolutamente transversais às restantes juventudes partidárias, pelo que desafio, igualmente, os meus companheiros de escrita, não pertencentes à JSD, a darem a sua opinião sobre a temática.

P.S(D) - Daqui por meia hora tem início o Debate entre os dois candidatos, Duarte Marques e Carlos Reis, na Faculdade de Direito de Lisboa.

Qui suo jure utitur neminem laedit

Eu anunciei que isto ia tornar-se confuso. Pois bem meu caro, eu debrucei-me sobre um dos temas que Vossa Excelência colocou sobre a mesa e pela ordem que os colocou, agora pretende que eu redija sobre o que deseja. Não sou eu que estou a discutir uma não-questão, referi simplesmente a minha tolerância: Assumo a minha liberdade e tolero a dos outros, as suas convicções e as suas opiniões. Caro colega, radicalizou-se logo de inicio e não foi apenas moral e intelectualmente.

Perdoe-me, mas a sua abordagem tem bem pouco de pendor eminentemente académico, repare que está sempre a qualificar os fundamentos dos outros. Deixe isto para os leitores. Não é vulgar dos meios académicos a utilização de expressões como “habituais técnicas de distorção de argumentos”, “arranje substância para os seus argumentos”, “a sua presunção ignorante” e a sugerir insinuações. É bem mais comum no meio político, bastante usual até entre os políticos mais pacóvios e comum nos debates às associações de estudantes do secundário.

São daquelas esquivas técnicas de debate, em que quem toma parte da querela, quer ser simultaneamente o moderador e o comentador. A única coisa que tem de eminentemente académico são as suas citações de sábios autores, só ao alcance dos mais cultos ou dos que indagam pelo Google.

Não está a meu cargo tolher a liberdade sobre o que os outros escrevem, disserte sobre o que entender, não tente limitar sobre o que escrevo. Saberá o leitor depois desta troca de opiniões, afinal, quem mais honra a liberdade.

Ainda o anti-qualquer coisa (2)

O caro Tibério ainda não percebeu que está a discutir uma não-questão. Lancei vários temas sim, sobre o estado do país. Os quais o caro Tibério, sendo socialista, não se prestou a discutir. Percebemos porquê, claro.

Sinceramente, não tenho muita paciência para as habituais técnicas de distorção de argumentos, tão caras aos socialistas, e para os horrores de virgens ofendidas. A minha abordagem analítica e discursiva tem sempre um pendor eminentemente académico e, como tal, não contem comigo para ser politicamente correcto.

Contudo, como estou aqui de espírito aberto, e como nunca viro cara a qualquer confronto, pelo contrário, eu até lhe faço o obséquio de continuarmos a discutir isso. Peço-lhe é que não se fique apenas pela classificação de "infeliz". Arranje substância para os seus argumentos.

Ficam ainda dois reparos. Um, à sua afirmação de que Por ser um blogue que reúne vários quadrantes ideológicos, apreciei a forma inusitada como começou por «lançar alguns temas para a “mesa”». Aquilo que está subjacente às suas afirmações, e que já percebi logo no início, não é a tolerância mas o relativismo moral e intelectual, muito característico da Modernidade. Não conte comigo para isso. Como escreveu Gray em Gray's Anatomy, a respeito de Hayek, "a modern conservative must be a moral and intellectual radical".

Por último, o segundo reparo é à sua presunção ignorante: "Pelo menos não considerou o socialismo uma ideologia totalitária e escravizante do indivíduo. Um pequeno progresso." Juro que tive que me conter para não soltar uma gargalhada. Quer mesmo discutir isto? É mais que óbvio que o socialismo é uma ideologia totalitária e escravizante do indivíduo. Quando quiser discutir isto a sério, avise.

Bene tibii

Habitualmente fico-me pela tréplica, este post será uma espécie de articulado superveniente. A subtileza não será umas das minhas características, se quero dizer uma coisa digo-a, porque prezo a minha liberdade e a inerente responsabilidade. Aliás, pura e simplesmente reutilizei o seu exemplo de bem intencionados que abarrotam o Averno. Seria uma insinuação da sua parte?

Por ser um blogue que reúne vários quadrantes ideológicos, apreciei a forma inusitada como começou por «lançar alguns temas para a “mesa”», para agora os retirar. Sintomático nalguma direita. Pelo menos não considerou o socialismo uma ideologia totalitária e escravizante do indivíduo. Um pequeno progresso.

Vamos discutir algo importante como o actual estado do país, mas daqui a pouco não volte a retirar o tema da mesa, porque vai tornar-se confuso.

Deixo-lhe um alerta, os debates vão ser complicados. Andam por ai pessoas a escrever que socialistas, como eu, tendem a combater a liberdade com as suas ideias cheias de boas intenções mas desligadas da realidade.

Apresentação - Pedro Correia

Pedro Correia

Pedro Correia tem 22 anos e é licenciado em Economia pela Universidade Nova de Lisboa. Concluiu o Mestrado em Gestão com especialização em Estratégia, igualmente na Universidade Nova de Lisboa. Actualmente desempenha as funções de analista de negócio na Direcção de Estratégia da Vodafone Portugal. É director de parcerias da WACT (ONGD Portuguesa). A nível político, é vice-presidente da Comissão Política da JSD/Moscavide, Conselheiro Distrital de Lisboa da JSD e é membro da Assembleia de Freguesia da Portela.

É do Sport Lisboa e Benfica. Viveu 6 meses em Estocolmo, ao abrigo do programa Erasmus. A maneira mais fácil de o encontrar é numa corrida depois do trabalho entre o Cais da Matinha e o Parque Tejo em Lisboa.

Ainda a respeito do anti-qualquer coisa

O estimado Tibério Dinis, considera que usei um vocábulo infeliz. Contudo, esta nem me parece ser uma questão muito relevante - se eu fosse um qualquer fundamentalista, não estaria num blog com socialistas e comunistas ou bloquistas, não é verdade? - por um simples motivo: a educação e socialização dos seres humanos faz-se através de preconceitos - uns verdadeiros e correctos, outros nem por isso, sendo isto, claro, subjectivo e padecendo de um enquadramento societal. Independentemente da valoração normativa atribuída aos preconceitos, ou seja, tomando-os em consideração de um ponto de vista meramente abstracto e académico, muitos destes preconceitos, responsáveis pela formação da personalidade, contribuem para uma definição desta, em larga escala, por oposição a outros preconceitos. Tudo isto para dizer que, grande parte da nossa personalidade define-se precisamente por ser anti-qualquer coisa. Não vejo que daí advenha grande choque ou qualquer classificação de "infeliz". Um comunista é anti-liberdade (mesmo que não o saiba, e sobre isso poderemos falar), assim como um liberal é anti-comunista porque pró-liberdade.

Infeliz é insinuar que porque Hitler ou Mussolini eram anti-comunistas, logo eu estaria na mesma categoria - técnica da amálgama e da distorção dos argumentos, muito utilizada à esquerda. Só que não só se pode observar que não eram anti-comunistas primários, como eu me classifiquei, como tanto fascismo e nazismo são apenas a outra face da mesma moeda comunista. Tudo ideologias totalitárias e escravizantes do indivíduo. Como liberal, não considero qualquer uma delas admissível ou tolerável.

Entretanto, vamos discutir algo importante como o actual estado do país?

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Concessa venia

Hitler, Estaline, Mussolini, Mao, Pol Pot, Ceauşescu, todos eles anti-qualquer coisa, membros de uma brigada de algozes. Não serão os melhores exemplos a seu favor, afinal, nesta brigada contam-se, precisamente, anti-comunistas com resultados lúgubres.

De bem intencionados está o inferno cheio, é verdade. Todavia, não creio que existam maus intencionados que não estejam na ardente companhia de Lúcifer.

Não acredito que seja um mau intencionado, acredito sim que tenha usado vocábulo infeliz.

De bem intencionados está o Inferno cheio


Eu, que também pouco conheço de História, prefiro ter medo dos bem intencionados para os quais no fim "o Sol brilhará para todos nós". Ao abrigo do projecto Iluminista da Modernidade, muitas foram as tentativas de colocar Utopias em prática. Afinal, Hitler, Estaline, Mussolini, Mao, Pol Pot, Ceausescu, entre tantos outros, eram verdadeiramente bem intencionados, visando almejar um Mundo melhor, um mundo perfeito.

Os parágrafos que se seguem são retirados de um ensaio da minha autoria:

Já Fernando Pessoa assinalava que “o erro capital de todas as definições perfeitas é a perfeição. Uma cousa perfeita deixa sempre suspeitas de não existência”. A perfeição é utópica, e a utopia resulta de uma racionalização que, na História, encontra no Iluminismo o seu expoente máximo, chegando a acreditar-se que só é verdadeiramente livre aquele que se liberta pela razão.

Os sistemas racionais, assentando numa alegada cientificidade que deu corpo à Modernidade e rejeitou a Antiguidade e o papel central que a religião detinha na vida individual e em sociedade, começam desde logo com o sucedâneo de Rousseau e do que este idealizou, ou seja, Karl Marx, cujos ensinamentos vão servir de base aos revolucionários bolchevistas de 1917 e à experiência do comunismo, no qual Saramago se filia ideologicamente.

A acompanhar o comunismo, refiram-se o fascismo ou o nazismo, sistemas que apregoaram o racionalismo e que nem se aperceberam que eram tão ou mais religiosos que a religião católica ou outras. Isto porque, mais do que baseados na ciência, são baseados numa crença apocalíptica. Deve-se, no entanto, notar que Apocalipse significa revelação, ou seja, não é algo negativo, ao contrário do que o emprego habitual da palavra deixa adivinhar. Significa que, após uma revelação, após uma determinada alteração, como cantam os comunistas, “o sol brilhará para todos nós”.

No fundo, estamos aqui a recorrer aos ensinamentos de John Gray, considerando que estes sistemas racionais são baseados nesta escatologia milenarista, uma crença apocalíptica numa revelação ou alteração que fará com que o mundo seja um lugar melhor. O problema que a tentativa de colocar uma utopia em prática levanta é o de que os fins passam a justificar os meios, e todas as atrocidades cometidas em nome de uma ideologia passam a ser desculpadas pelas boas intenções iniciais. Isto é precisamente o mesmo que aconteceu com todas as guerras combatidas em nome de Deus. No essencial, ideologia e religião confundem-se, quando não são exactamente o mesmo, contrariando o que muitos dos mais radicais ideólogos pensam.

E como o próprio John Gray refere, em A Morte da Utopia (Guerra e Paz Editores, 2008, p.29):

"Norman Cohn identifica as seitas e os movimentos milenaristas como agarrados a uma ideia de salvação que tem cinco características distintivas: é colectiva, na medida em que é partilhada pela comunidade de fiéis; é terrestre, na medida em que se realiza na Terra e não no céu ou no Além; é iminente, na medida em que deve chegar depressa e subitamente; é total, na medida em que não só melhorará a vida na Terra mas também a transformará e aperfeiçoará; e miraculosa, na medida em que a sua vinda é conseguida ou assistida por intervenção divina.

Os revolucionários modernos, dos jacobinos em diante, partilham estas crenças, mas, enquanto os milenaristas acreditavam que só Deus refaria o mundo, os revolucionários modernos imaginaram que ele só podia ser remodelado pela humanidade. Esta é uma noção tão forçada como tudo aquilo em que se acreditava nos tempos medievais. Talvez por essa razão tenha sido sempre apresentada como possuindo autoridade da ciência. A política moderna tem sido conduzida pela crença de que a humanidade pode ser libertada dos males imemoriais pelo poder do conhecimento. Nas suas formas mais radicais, esta crença tinha subjacentes as experiências do utopismo revolucionário que definiram os últimos dois séculos".

Aberratio ictus

Assumo a minha liberdade e tolero a dos outros, as suas convicções e as suas opiniões. Afinal, são muitos os bem intencionados desligados da realidade, mesmo sem o saberem.

Tenho medo dos anti-comunistas e dos anti-socialistas, como tenho medo dos anti-monárquicos e dos anti-liberais, entre tantos outros anti-qualquer coisa. Não sei muito de história, mas conheço suficientemente as experiências dos anti-qualquer coisa, para saber que será imprescindível o labor de um cangalheiro, compassado por um melódico réquiem.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ab initio

Antes de mais, cumpre-me agradecer ao Tiago Mendonça o simpático convite para partilhar este espaço com pessoas dos mais diversos quadrantes ideológicos e partidários. Em segundo lugar, devo também saudar todos os colegas de blog, que desconheço mas com os quais tenho a certeza que se gerarão debates frutíferos.

E para começar a lançar alguns temas para a "mesa", começo por me reportar ao que levou o Tiago a convidar-me. Se, por um lado, sou monárquico, por outro, sou de direita, liberal e conservador. Simpatizante, portanto, do PSD e do CDS/PP, dos quais já recebi diversos convites para me filiar. Talvez um dia o venha a fazer mas, por ora, mantenho-me na qualidade de apartidário. Sou, por outro lado, um anti-comunista e anti-socialista primário. Sim, primário, porque tenho como valor supremo a liberdade, coisa que comunistas e socialistas tendem a combater com as suas ideias cheias de boas intenções mas desligadas da realidade, comummente levando ao que Friedrich A. Hayek considerou como o Caminho para a Servidão. Ainda recentemente, no blog que ocupa a maior parte do meu tempo na blogosfera, o Estado Sentido, escrevi sobre como na actual conjuntura do país, os ensinamentos de Hayek se tornam prementes. Percorremos, ao longo destes últimos 36 anos, um lento e inexorável Caminho para a Servidão.

Recentemente, também, escrevi uma carta aberta ao líder do PSD, em réplica a uma carta do Henrique Raposo (aqui e aqui), onde sugeria que Pedro Passos Coelho não desperdiçasse esta oportunidade única para colocar pelo menos um travão - de preferência um ponto final, mas para já, tal parece muito difícil - no descalabro socialista. Escrevi, nesta carta, que um dos valores que está na base do funcionamento dos mercados é o da credibilidade. Independentemente do Orçamento Geral do Estado aprovado (e aquele que o foi é, sem dúvida, muito mau, destinando-se apenas a protelar uma situação insustentável), os credores, que são muito mais racionais que a esmagadora maioria dos portugueses, justificadamente não têm qualquer confiança em José Sócrates. O Primeiro-Ministro não tem qualquer credibilidade, e num sistema político fechado sobre si próprio, bloqueado, constitui-se como o principal problema, e não como uma solução. Por isto mesmo, chegámos a uma triste situação em que apenas uma intervenção externa pode viabilizar a economia do país e credibilizá-lo externamente. Não é que não tenhamos indivíduos à altura para resolver os nossos problemas. Mas estão praticamente arredados dos centros de decisão, estando o próprio sistema numa espiral de degenerescência acentuada, num ambiente, como há uns meses escreveu o Professor José Adelino Maltez, "propício ao neofeudalismo da cunha e do clientelismo, marcado pelo concentracionarismo que é rolo tão unidimensionalizador no capitalismo quanto o era no sovietismo, quando vem de cima para baixo".

O que se tem passado nos últimos dias, é prova disto mesmo e de como as tentativas socialistas de compreender ou domar os mercados não passam de mero wishful thinking, especialmente confrangedor e humilhante para o país quando verbalizado pelo seu principal (ir)responsável, José Sócrates.

Por isto mesmo, triste e infelizmente, chegámos a uma situação em que me parece que apenas uma intervenção externa pode viabilizar economicamente o país, provocando profundas reformas estruturais num sentido liberal, que nos permitam ter um modelo de desenvolvimento sustentável. Essa mesma intervenção acabará, posteriormente, por credibilizar o país externamente. E para aqueles que acenam com o "fantasma do FMI", talvez fosse bom dar uma vista de olhos nos princípios que este considera como imprescindíveis para a consolidação orçamental, de que o reputado economista Carlos Santos dá conta, num blog que decidi criar recentemente, intitulado, precisamente, FMI em Portugal Já.

É que, a continuarmos neste caminho, onde em vez das gerações futuras e da independência do país, é o aqui e agora dos Comensais Interesses Vigentes que toma primazia na desgovernação, apetece dizer, parafraseando Hayek e a famosa expressão que tomou emprestada de Keynes, que "se nos concentrarmos em resultados imediatos, o que certamente estará morto no longo prazo é a liberdade".

Para terminar, deixo apenas uma famosa passagem de Raymond Aron: "O liberal é humilde. Reconhece que o mundo, a vida são complicados. A única coisa de que tem certeza é que a incerteza requer liberdade, para que a verdade seja descoberta por um processo de concorrência e debate que não tem fim. O socialista por sua vez acha que a vida e o mundo são facilmente compreensíveis; sabe tudo e quer impor a estreiteza da sua experiência, da sua ignorância e arrogância".

Apresentações - David da Silva e Diogo Agostinho

David da Silva

David da Silva tem 20 anos, frequenta o Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa. Foi Presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Luís de Freitas Branco em 2008, tendo sido nesse ano quadro de excelência académica nessa mesma Escola. É fundador e presidente da Ecozoic, organização de juventude para o Ambiente e os Direitos Humanos. Recebeu duas menções honrosas em concursos literários. É vice-presidente da JSD/Secção de Oeiras, interessado por novas tecnologias, tendo terminado o Curso da FormBit, em Microsoft Office com média de 94%.

Apreciador de desporto, foi quadro de excelência desportiva na Escola Secundária Luís de Freitas Branco em 2008, tendo vencido o Campeonato Escolar de Golfe da Região de Lisboa, em 2007.

Diogo Agostinho

Diogo Agostinho é licenciado em Economia pelo ISCTE, sendo mestrando em Ciência Política na Universidade Católica Portuguesa. Actualmente, exerce ainda, funções de Gestor de Projectos numa Associação Empresarial. É militante da Juventude Social Democrata e blogger do "Psicolaranja".

É um fervoroso adepto do Sporting Clube de Portugal.

domingo, 7 de novembro de 2010

Prólogo

Chego à Zona de Decisão a convite do amigo Tiago Mendonça. Espero que se transforme rapidamente num blogue activo e de qualidade, correspondendo às expectativas do criador.

Procurarei manter um estilo distinto daquele que mantenho no meu blogue pessoal, o In Concreto.

A propósito, deixo-vos aqui uma rubrica do meu blogue na qual o convidado foi Tiago Mendonça., o tema foi Juventudes Partidárias O vídeo só recentemente foi adicionado ao YouTube, estando também disponível no AçoresTube.

Apresentações - Cátia Terrinca

Fica apresentação do sétimo membro deste blogue, Cátia Terrinca. Uma certeza: A apresentação mais original de todas.

Cátia Terrinca

Cátia V Sofia [Terrinca] (s.f) = miúda de 1.79m que quando cruza as pernas debaixo das mesas faz nódoas negras nos joelhos; crente no peter pan e no sistema solar; deputada municipal; arquitecta de olhar, que um dia descobriu o teatro; eterna estudante, hoje da Escola Superior de Teatro e Cinema; membro de um colectivo – 3.14; de idade incerta, de naturalidade irrelevante.

P.S (Acrescentada por mim) - Para que se perceba a abrangência ideológica que este novo espaço pretende ter, interessa salientar que a Cátia é Deputada na Assembleia Municipal de Loures, eleita nas listas do Bloco de Esquerda.

Apresentações

Ficam as apresentações de 6 dos autores deste blogue:

Samuel Paiva Pires:

Licenciado em Relações Internacionais (regime pré-bolonha), com média final de 16 valores, pelo ISCSP da Universidade Técnica de Lisboa, onde é actualmente mestrando em Ciência Política. Desempenha no mesmo Instituto o cargo de representante dos alunos no Conselho de Escola, e é investigador colaborador do Grupo de Estudos Políticos do Centro de Administração e Políticas Públicas. No ISCSP, foi também dirigente associativo e do Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais.Bolseiro Santander Totta em 2007, tendo efectuado um semestre na Universidade de Brasília. Premiado com uma Bolsa de Estudo por Mérito no ano lectivo 2007/2008. É Presidente da Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico e Vice-Presidente da Youth Atlantic Treaty Association. Membro Associado do Instituto da Democracia Portuguesa. Trabalha na Associação Bandeira Azul da Europa, onde apoia a coordenação dos programas Eco-Escolas e Jovens Repórteres para o Ambiente. Criador do blog Estado Sentido, colaborador da Plataforma do Centenário da República, tendo ainda colaborado no extinto Novo Rumo. Em relação a causas mais específicas, promoveu o PEPAC - Porque os Estágios Parecem Algo Complicado, para denunciar as irregularidades do PEPAC, e criou recentemente o blog FMI em Portugal Já".

É Monárquico e liberal convicto. Leitor ávido, não dispensa a música, tendo já actuado em algumas festas universitárias como DJ.

Tibério Dinis

Tibério Dinis tem 23 anos e é natural da Ilha Terceira, Açores. Frequenta o 4º ano da licenciatura de Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. É autor do blogue In Concreto, um dos blogues com mais visitas do arquipélago dos Açores.

É simpatizante do Partido Socialista. Adepto do Futebol Clube do Porto.

Bruno Antunes

Bruno Antunes tem 22 anos e é licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. É mestrando na Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, Escola de Lisboa. É co-fundador e co-autor do "Um Blogue do Caraças".

Não se encontra filiado em nenhuma juventude partidária. É adepto do Sport Lisboa e Benfica.

Joana Yemi Pereira

Licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Actualmente está a frequentar o 2º ano de Mestrado no Departamento de Estudos Políticos da UNL, com especialização em Estudos Políticos de Área. É também investigadora do Instituto Superior Técnico da UTL. As suas áreas de interesse passam pela Política Externa Portuguesa e das grandes potências mundiais, o papel das organizações internacionais, particularmente em matéria de defesa e segurança, bem como o estudo das mais variadas temáticas relacionadas com a Política Internacional.

Tiago Gonçalves

É finalista da licenciatura de Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. É Presidente do Grupo Municipal do Partido Socialista, na Assembleia Municipal de Peniche. É ainda deputado e Vice-Presidente do Grupo Intermunicipal do Partido Socialista na Assembleia Intermunicipal do Oeste. É Secretário Nacional da Comunicação da JS e Secretário Federativo de Leiria do Partido Socialista.

Tiago Mendonça

Tiago Mendonça tem 23 anos. É licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, com a classificação de 15 valores. Actualmente, frequenta o Mestrado Científico na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, na especialização de Economia Política e Análise Económica do Direito. Foi Presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária da Portela no ano lectivo 2002/2003 e 2003/2004. Actualmente, é presidente da Comissão Política de Secção da JSD/Moscavide. É, também, Deputado na Assembleia Municipal do Concelho de Loures. Participou em vários blogues, salientando-se o "Laranja Choque" de que foi autor nos últimos dois anos.

Simpatizante do Sport Lisboa e Benfica. Adepto de um bom livro e de uma boa conversa.