quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ensaio da tarde...


A coisa até correu bem. O guião não tinha erros ortográficos. Morreram algumas pessoas, a peça era sobre liberais, monárquicos, conservadores e liberais. Um mix de semelhanças e coerências.

Da hipocrisia dos simultâneos defensores e coveiros do Estado Social

A não perder, um excelente ensaio de Mário Pinto, Professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, no mais recente número da Nova Cidadania, intitulado "Estado Arbitrário ou Estado Subsidiário", de que aqui dou nota numa breve passagem:

"(...) é surpreendente o sentido das recentes reformas governamentais do «Estado Social», no nosso País, que praticamente se resumem em reduzir os benefícios aos cidadãos. Por exemplo: na Segurança Social, com redução de pensões e subsídios; no Serviço Nacional de Saúde, com reduções nas comparticipações nos medicamentos; não esquecendo o que foi a redução dos benefícios na educação escolar, com a reforma de Bolonha, que retirou substancialmente do regime favorável das propinas das licenciaturas quase metade dos anos das antigas licenciaturas, ao passarem para os mestrados. Todos estes cortes, e outros, incidindo naquilo que é o essencial do «Estado Social», ou seja, nos benefícios sociais, foram executados alegadamente em nome da viabilização financeira do Estado Social - portanto, em sua defesa. Porém, nem uma só medida merece destaque como redução do estatismo burocrático e gastador descontrolado, como desmonopolização racionalizadora das grandes máquinas estatais do «Estado Social».
Pior ainda. Se (mesmo sem pôr em causa a garantia dos benefícios nem a sua dimensão) alguma medida é proposta em favor da liberdade de escolha dos utentes ou da igualdade na oferta dos concorrentes privados - e portanto no sentido da desmonopolização e de uma concorrência mais racional e leal - logo os defensores dos monopólios públicos gritam que está em causa o «Estado Social». A ponto de acusarem (e até insultarem com juízo de intenções) as iniciativa reformistas, por pretenderem o «recuo do Estado Social». Quer dizer: reduzir as prestações não é fazer recuar o «Estado Social», mas reduzir o monopólio estatal isso é fazer recuar o «Estado Social». Fica à vista em que consiste o avanço do «Estado Social»: não é no avanço das prestações; é no avanço da estatização."

Declaração sobre as Eleições na JSD/Lisboa

No próximo Sábado, entre as 15h30 e as 18h30, realizam-se as eleições para a Mesa e para a Comissão Política Distrital de Lisboa da JSD. Apresentam-se a votos, como candidato a presidente da mesa, o meu amigo Ricardo Júlio Pinho, actual presidente da JSD/Oeiras e Vereador na Câmara Municipal de Oeiras e, como candidata, à presidência da comissão política distrital de Lisboa, a companheira Joana Barata Lopes.
         A Secção de Moscavide, à qual tenho a honra de presidir, não integrará nenhuma das duas listas que vão a votos, no próximo sábado, o que não significa que não exista uma predisposição a colaborar com os órgãos que agora vão ser eleitos. Seremos iguais a nós próprios: Colaborar sempre, elogiar sempre que for merecido, criticar sempre que discordarmos das opções tomadas, mantendo, inevitavelmente, uma cooperação institucional excelente, em nome do interesse dos jovens do Distrito de Lisboa.
         Nos últimos dois anos, foi isso que fiz. Crítica quando considerei que era ajustado faze-lo, elogio sempre que isso se adequou. Acho que a Comissão Política Distrital, liderada pelo Paulo Pereira, realizou algumas iniciativas que considero terem sido benéficas, como é o caso da Actividade direccionada para a temática cultural com a comissão política ainda em exercício fechou o seu mandato, bem como, os Conselhos Distritais Temáticos, que foram realizados. Errou, claramente, na incapacidade para dinamizar a Coordenadora do Ensino Superior e a Coordenadora do Ensino Básico e Secundário, que, simplesmente, não existiram. Em Conselho Distrital, critiquei este último aspecto, elogiei as iniciativas positivas que tive oportunidade de referir.
         Vivemos hoje um momento muito delicado para as Juventudes Partidárias em Geral, para a JSD em particular. Um momento de afastamento dos jovens, por culpa dos agentes políticos. Pela falta de credibilidade, que aqueles que, consecutivamente, chegam à Zona de Decisão, evidenciam no desempenho dos cargos para os quais foram eleitos. Mas também, por não se ter a coragem de penalizar quem prejudica a estrutura e beneficiar, verdadeiramente, quem dá o seu melhor no serviço da juventude, no caso, do Distrito de Lisboa.
         A Joana Barata Lopes e a sua equipa (que se deve conhecer nas próximas horas), têm pois um enorme desafio e uma grande responsabilidade pela frente. Por outro lado, têm hoje condições absolutamente excepcionais, para o desenvolvimento desse trabalho, podendo a Joana escolher a equipa, obedecendo a critérios somente qualitativos, já que não teve lista adversária. São condições impares, que parecem ser garante de um mandato bem sucedido, mas ao mesmo tempo, aumentam o nível de responsabilidade.
         Seria injusto, não dar uma palavra ao Grupo Ganhar uma Geração, que julgo ter desempenhado um papel importante no contexto distrital, pelo menos, no último ano. A apresentação de um programa para o Distrito, considerado pela globalidade das pessoas, como um programa com qualidade e abrangente das várias áreas de sensibilidade dos jovens do Distrito de Lisboa, em Setembro de 2009, e a realização de diversas iniciativas, como é o caso do Debate sobre a Energia Nuclear realizado em Oeiras, faziam antever que o Grupo Ganhar uma Geração teria todas as condições para edificar uma candidatura sólida e, potencialmente, vitoriosa.
         Essa dinâmica de trabalho (e de vitória) foi abruptamente interrompida, em Abril passado, momento em que, na minha opinião, o Grupo Ganhar uma Geração acabou. Outros considerem, que o grupo terá terminado em Setembro. Uma certeza existe: O Grupo Ganhar uma Geração não conseguiu apresentar uma candidatura a estas eleições. Não é o momento de atribuir culpas. O Processo Eleitoral, apenas tem a sua conclusão no próximo Sábado, e apenas no seu final, farei uma reflexão profunda sobre tudo o que se passou, e depois, a frio, procederei a uma análise objectiva dos acontecimentos dos últimos meses, não com a finalidade de recriminar ninguém, mas de evidenciar o caso de estudo que este Grupo foi. Nas boas coisas que teve, e nos exemplos absolutamente repugnantes que também viveu.
         Este é portanto o momento, de todos os militantes do Distrito de Lisboa, darem, pelo menos, o beneficio da dúvida à Comissão Política que no Sábado vai ser eleita. De se apresentarem disponíveis a uma cooperação institucional excelente, contribuindo, com os seus reparos, para que o mandato seja o melhor possível. Não devemos querer que as coisas corram mal aos outros, só para podermos criticar, e dizer que faríamos melhor. Devemos querer que tudo corra bem, para que “no final do dia”, possamos dizer isto foi bom, e, eventualmente, afirmarmos que podemos fazer ainda melhor.
         Termino este breve tópico, que entendi apenas dar depois da entrega de listas, agradecendo a todos aqueles que me acompanharam ao longo dos últimos anos, em que julgo ter contribuído positivamente para o Distrito de Lisboa. Seja na feitura do Programa Ganhar uma Geração, seja nas Moções que apresentei, seja nas intervenções em Conselho Distrital que fiz. Agradeço a todos os que mesmo nos momentos difíceis, em que era mais fácil abandonar as convicções e os valores em que acreditavam, se mantiverem fiéis a esses valores e aos compromissos assumidos. A todos aqueles, que por mais que uma vez me manifestaram apoio, solidariedade e me incentivaram a tomadas de decisões variadas. Muito lhes agradeço, e peço desculpa, como já o fiz em intervenção pública no referido Conselho Distrital, por não ter podido corresponder às expectativas que alguns auguravam.
         Agora é o momento de todos trabalharmos. Nas Secções, quem está encarregue da sua direcção, na Distrital os orgãos que serão eleitos no próximo Sábado, e na Nacional, os orgãos que vão ser eleitos no final do mês de Novembro. Todos a trabalhar, sem ressentimentos e sem mágoas. Também sem esquecer, e sem deixar de lembrar. Convergindo e Divergindo, respeitando apenas as nossas convicções e os nossos valores. Percebendo que os nossos adversários políticos estão fora da JSD e não dentro, e que mesmo com esses, como este Blogue evidencia, é possível trabalhar em conjunto, porque o que nos une é o mesmo: Fazer mais e melhor para e pela juventude do nosso país.
         Até breve!

In fine

Não é a dicotomia entre se estudar “o que é” e o que “deve ser” que é importante, é a aplicação prática. Já percebi que gosta de ciência política, de filosofia e teoria.

Tem razão meu caro, é importante alargar horizontes. Sugiro que se filie num partido, que avance para o combate político na rua, que se aperceba das dificuldades dos portugueses. Faça um porta a porta, visite regiões do interior e perceberá que a política é muito mais que um jogo de boas intenções, de belos textos e bons debates. Tente que as pessoas votem na sua causa e vai perceber que por muita ciência política, filosofia e teoria que tenha, elas valerão de bem pouco.

Avance para o terreno e vai perceber que afinal socialista, comunistas e bloquistas não são desligados da sociedade. Na verdade, estão bem ligados à sociedade, prova disso é a crescente representatividade de partidos como o PCP e BE – meus adversários políticos por natureza e temo a sua crescente representatividade. Representam mais de 17% da população portuguesa, discordo profundamente das suas posições, mas não subestimo adversários. Sabe, é que as pessoas exercem o direito de voto na plenitude da sua liberdade.

Vamos discutir algo importante como o actual estado do país – é a segunda vez que escrevo isto e não reentarei mais neste debate. Reafirmo, que apenas salientei a minha tolerância: Assumo a minha liberdade e tolero a dos outros, as suas convicções e as suas opiniões.

P.S. Um dia podemos juntar-nos numa esplanada a contar piadas, também sei umas quantas sobre monárquicos, liberais e conservadores. Mas não o vou fazer aqui, sairia fora das intenções da criação deste blogue.

Pedras...


Pedras no Caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…
Augusto Cury


Sobre este post, apesar de ser socialista, filiado desde os 18 anos, não fico nada ofendido, não me ofende quem quer, só me ofende quem eu entendo que merece ofender-me, pois concebo a prática do debate de ideias e das opiniões, seja na política ou fora dela, como algo que tem que ser feito com o respeito que os outros nos merecem.

Uma questão de Humanidade

Aminetu Haidar, activista dos Direitos Humanos, está em Portugal. Esta semana cumprirá uma agenda de visitas a várias instituições desde a Universidade de Coimbra à Assembleia Municipal de Lisboa. Encontrar-se-á também com militantes da luta pela auto-determinação do Sahara Ocidental, actualmente administrado por Marrocos. A passagem da activista acontece quase um ano depois da greve de fome contra o regime marroquino que a impedia de regressar à sua terra natal, vinda de Nova Iorque, onde recebeu o prémio de Direitos Humanos Robert F. Kennedy. Durante uns longos e penosos 32 dias, Aminetu Haidar colocando a sua vida em perigo em nome da auto-determinação do povo saharauí, permaneceu no Aeroporto de Lanzarote, num protesto que não só atraiu a atenção da comunidade internacional para a causa em que acredita como a lançou para uma vida mais díficil dado os danos físicos permanentes que 32 dias de fome lhe causaram.

A sua visita reveste especial importância quando, esta semana, o El Pais e o El Mundo relatam a invasão de um acampamento no Sahara Ocidental, por parte das forças de segurança de Marrocos. Num destes locais onde se contabilizavam aproximadamente 7 mil tendas e 20 mil pessoas, as forças de segurança marroquinas, segundo estes diários espanhóis, deram entrada durante a madrugada, utilizando gás lacrimogéneo e canhões de água, tendo em seguida incendiado centenas de tendas. Há, ainda, relatos que desde o passado Domingo as forças de segurança de Marrocos bloquearam a entrada nesse acampamento junto à capital do Sahara Ocidental, El Aiun, provocando confrontos entre manifestantes e a polícia. Fontes no local referiram a agências noticiosas que mulheres e crianças recusam-se a abandonar o acampamento por temerem pela vida dos seus maridos e pais.

É importante que a comunidade internacional esteja atenta à situação na região. Por um lado, Espanha, pelas razões históricas e de antiga potência colonizadora, e por outro, Portugal, membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ambos países claramente defensores dos Direitos Humanos, devem utilizar sua influência, quer no contexto da União Europeia, quer no contexto das Nações Unidas, a fim de repor a normalidade no Sahara Ocidental.

Portugal não deve fingir que nada se passa aqui tão perto. Nem deve por razões económicas abster-se de exprimir os princípios e os ideais que sempre fizeram parte da sua carta magna e que ao longo dos anos orientaram o país e a sua acção. Termino, elogiando a coragem e a determinação de Aminetu Haidar, quando no Mundo e nos dias em que vivemos poucos exemplos temos de sacrifício e de empenho pelas causas colectivas.

O início

Bom dia a todos,

É com enorme satisfação que vejo a materialização deste forúm, idealizado por mim e pelo Tiago já há alguns meses a esta parte e que pretende responder a uma necessidade que identifico de se colocar à discussão problemas do país real, apresentar soluções fortes e na abrangência encontrar uma decisão, um caminho. Vivemos num momento crucial da História de Portugal, um traçado de erros sucessivos desenhado nas últimas décadas colocou-nos numa situação limite: Se na próxima década não concretizarmos as reformas estruturais essenciais e transversais a todas as áreas da sociedade portuguesa, com elevada probabilidade estaremos a divergir da Europa, no crescimento e desenvolvimento económico, durante os próximos séculos.

A qualidade está presente, como refiro habitualmente, os Portugueses não só são capazes de igualar o melhor que lá fora se faz como de superar. A NOVA que vai representando a excelência do ensino da Economia em Portugal pela Europa, tem sucessivamente, no âmbito dos programas de intercâmbio, os seus alunos a superar os melhores resultados nas melhores faculdades. Temos figuras brilhantes que em todas as àreas da sociedade, sem excepção, estão em paridade com o topo da Qualidade Mundial.

Se acompanhamos o "state of the art" individualmente porque não o fazemos em conjunto? É esta a questão que devemos resolver, e só a poderemos alcançar com abrangência, descomprometimento de interesses secundários, e com decisões agora.
Vejo neste espaço a capacidade e creio que se se mantiver o foco necessário poderemos elaborar algumas das resoluções que precisamos.

Posto esta introdução peço as minhas desculpas a todos pelo atraso com que me início no blog, mas as jornadas de trabalho para lá das 22h têm se sucedido, absorvendo, por isso todo o meu tempo, e impedindo-me de acompanhar este arranque na discussão.

Agora sim, segue a minha curta apresentação:

Pedro Correia, 22 anos. Concluiu o Curso de Economia e Mestrado em Gestão com especialização em Estratégia ambos pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, o último com uma classificação final de 17, quer na parte lectiva quer na Tese de Mestrado. Actualmente desempenha as funções de analista de negócio na Direcção de Estratégia da Vodafone Portugal bem como é Director de Parcerias da WACT (ONGD Portuguesa). A nível político assume os cargos de Membro da Comissão Política da JSD Secção de Moscavide, é Conselheiro Distrital da JSD Lisboa e Membro da Assembleia de Freguesia da Portela. Viveu 6 meses em Estocolmo onde teve a oportunidade de estudar no Departamento de Economia da Stockholms Universitet. A forma mais fácil de o encontrar..Numa corrida depois do trabalho entre o Cais da Matinha e o Parque Tejo em Lisboa!

Ps: peço desde já a compreensão para algum erro ortográfico que possa ter passado agora e no futuro, não revi o que escrevi e em próximos momentos é igualmente possível que não o tenha o tempo para o fazer. Com as ideias, essas, garanto atenção total!

cumprimentos

Morreu o "Senhor do Adeus"

Morreu o "Senhor do Adeus". Uma mítica figura da cidade de Lisboa que presenteava quem passava pela praça do Saldanha, com um simpático Adeus. Era a sua maneira de dar e receber felicidade. Dar, ao fazer sorrir quem por "lá" passava. Receber, ao observar esses sorrisos.




João Manuel Serra - 1930 - 2010

Já dizia o meu falecido tio-avô

"Um grupo de socialistas enviado para um deserto acabava a importar areia".



Ainda o anti-qualquer coisa (3)

Caro Tibério, as suas deduções são algo que me deixa perplexo. Não estou a limitar seja o que for. Escreva o que quiser. Agora, não só parece algo incomodado com a situação do país, a qual atravessava todo o meu primeiro post, esquivando-se a discuti-la, como parece ter uma qualquer dificuldade em ver-se ao espelho. É que, quem começou por qualificar argumentos, foi o Tibério, com o "vocábulo infeliz". Quem começou por tentar limitar o que eu escrevo, foi o Tibério, com o medo dos "anti-qualquer coisa".

Quanto à abordagem académica, tente não confundir a FDL com esta. Talvez seja defeito de formação de parte a parte, mas enquanto o Direito estuda o que "deve ser", a Ciência Política prefere estudar "o que é". Se alargar um pouco os horizontes, talvez se surpreenda. A análise filosófica passa, em grande medida, pela qualificação e valoração de argumentos.

E porque esta discussão sem nexo já vai longa, proponho-lhe novamente, quer discutir a situação do país? Se quiser, aqui fica um post que escrevi ontem. Por outro lado, se quiser discutir o que é o conceito de liberdade ou o que é o socialismo, encontro-me também ao seu dispor.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Olá a todos!

Começo esta participação no Zona de Decisão cumprimentando todos os demais camaradas (palavra não associada neste contexto a qualquer filiação partidária) deste desafio.

Procurarei abordar aqui algumas temáticas e desenvolver alguns dos textos de opinião quinzenal no Diário de Leiria. O de amanhã, que antecipo aqui, é sobre a visita de Aminetu Haidar a Portugal.

Agradeço ao Tiago Mendonça pelo convite.

Um abraço a tod@s

Congresso Nacional (1)

O Congresso Nacional da JSD, realizar-se-á nos dias 26,27 e 28 de Novembro. O Congresso Nacional da JSD, para além de eleger os novos orgãos nacionais da Juventude Social Democrata, deverá servir também para rever os estatutos da JSD, pelo que adivinha um congresso bastante importante para a estrutura em que milito, mais a mais, tendo em conta o actual momento que o País atravessa, e o papel muito importante que a JSD pode e deve assumir, tendo em conta esse enquadramento.
         Em minha opinião, o caminho que as juventudes partidárias de um modo geral tem trilhado, apresenta-se com muito perigoso, já que, todos nós somos levados a reconhecer, que com um ou outro caso pontual a divergir, a realidade evidencia um afastamento progressivo dos jovens em relação à política. Assim, a JSD tem agora a oportunidade de colocar um ponto final nesse caminho, e, ao invés, de fazer um pequeno “upgrade” das práticas que tem seguido ao longo dos últimos anos, pode mesmo fazer uma “revolução” no seu modos operandi e dessa forma tornar-se uma estrutura mais próxima e mais importante para os jovens do nosso país.
         O Congresso Nacional da JSD, reúne-se, ordinariamente, de dois em dois anos, sendo o modelo eleitoral similar ao que vigorava no PSD, antes da implementação das directas: Cada secção tem um número de delegados, que são rateados consoante o número de militantes inscritos nessa mesma secção, num total de 600. Esses 600 Delegados, conjuntamente com as inerências existentes, votam nas listas candidatas aos vários orgãos nacionais (Conselho de Jurisdição Nacional, Conselho Nacional, Mesa e Comissão Política Nacional), sendo que, evidentemente, vence a lista que obtiver mais votos.
         Enfim, só pelo que acabei de afirmar, já tínhamos vários tópicos de análise, vejamos:

  • Será que o modelo de rateio dos delegados pelas secções, votando em Congresso Nacional os representantes de cada secção é um modelo melhor que o sistema de Directas?

  • Aceitando o modelo de rateio dos delegados pelas secções, será que o critério deveria ser unicamente o número de militantes de cada secção?

  • Será que faz sentido que as inerências tenham direito de foto?

  • E enfim, se entrarmos na matéria da revisão estatutária, matéria que me é muito grata, muitos mais assuntos poderíamos discutir, tais como: A livre militância, a limitação de mandatos, a incompatibilidade de exercer orgãos executivos simultaneamente, pelo menos, no plano distrital e nacional, a questão da expulsão definitiva dos militantes, enfim, uma vasta panóplia de questões práticas e que afectam directamente o funcionamento da JSD. Mas também questões de matéria mais teórica/programática, como sejam os princípios fundamentais e as tarefas primordiais da nossa estrutura.

  • Por último, evidentemente, tem interesse uma análise das duas candidaturas em disputa eleitoral e, o inerente balanço do mandato da última comissão política nacional.

Não sendo um compromisso, assumo o objectivo de convosco partilhar a minha opinião, mais ou menos desenvolvida, sobre as várias temáticas, pelo que segue o meu plano de textos sobre esta temática:

- Congresso Nacional (1) – Introdução
- Congresso Nacional (2) – O Modelo escolhido para a eleição dos orgãos nacionais
- Congresso Nacional (3) – Revisão Estatutária
- Congresso Nacional (4) – Balanço do mandato da actual CPN
- Congresso Nacional (5) – Das Candidaturas em especial.

Tentarei, em tempo útil, debruçar-me, sobre todos estes aspectos. Contudo, devo lembrar, que esta partilha só terá algum efeito útil, se for isso mesmo, uma partilha. É absolutamente importante que participem através das caixas de comentário, de forma a engrandecer esta troca de opiniões, sobre temas tão importantes para a JSD. Relembro ainda, que a maioria destes temas são absolutamente transversais às restantes juventudes partidárias, pelo que desafio, igualmente, os meus companheiros de escrita, não pertencentes à JSD, a darem a sua opinião sobre a temática.

P.S(D) - Daqui por meia hora tem início o Debate entre os dois candidatos, Duarte Marques e Carlos Reis, na Faculdade de Direito de Lisboa.

Qui suo jure utitur neminem laedit

Eu anunciei que isto ia tornar-se confuso. Pois bem meu caro, eu debrucei-me sobre um dos temas que Vossa Excelência colocou sobre a mesa e pela ordem que os colocou, agora pretende que eu redija sobre o que deseja. Não sou eu que estou a discutir uma não-questão, referi simplesmente a minha tolerância: Assumo a minha liberdade e tolero a dos outros, as suas convicções e as suas opiniões. Caro colega, radicalizou-se logo de inicio e não foi apenas moral e intelectualmente.

Perdoe-me, mas a sua abordagem tem bem pouco de pendor eminentemente académico, repare que está sempre a qualificar os fundamentos dos outros. Deixe isto para os leitores. Não é vulgar dos meios académicos a utilização de expressões como “habituais técnicas de distorção de argumentos”, “arranje substância para os seus argumentos”, “a sua presunção ignorante” e a sugerir insinuações. É bem mais comum no meio político, bastante usual até entre os políticos mais pacóvios e comum nos debates às associações de estudantes do secundário.

São daquelas esquivas técnicas de debate, em que quem toma parte da querela, quer ser simultaneamente o moderador e o comentador. A única coisa que tem de eminentemente académico são as suas citações de sábios autores, só ao alcance dos mais cultos ou dos que indagam pelo Google.

Não está a meu cargo tolher a liberdade sobre o que os outros escrevem, disserte sobre o que entender, não tente limitar sobre o que escrevo. Saberá o leitor depois desta troca de opiniões, afinal, quem mais honra a liberdade.

Ainda o anti-qualquer coisa (2)

O caro Tibério ainda não percebeu que está a discutir uma não-questão. Lancei vários temas sim, sobre o estado do país. Os quais o caro Tibério, sendo socialista, não se prestou a discutir. Percebemos porquê, claro.

Sinceramente, não tenho muita paciência para as habituais técnicas de distorção de argumentos, tão caras aos socialistas, e para os horrores de virgens ofendidas. A minha abordagem analítica e discursiva tem sempre um pendor eminentemente académico e, como tal, não contem comigo para ser politicamente correcto.

Contudo, como estou aqui de espírito aberto, e como nunca viro cara a qualquer confronto, pelo contrário, eu até lhe faço o obséquio de continuarmos a discutir isso. Peço-lhe é que não se fique apenas pela classificação de "infeliz". Arranje substância para os seus argumentos.

Ficam ainda dois reparos. Um, à sua afirmação de que Por ser um blogue que reúne vários quadrantes ideológicos, apreciei a forma inusitada como começou por «lançar alguns temas para a “mesa”». Aquilo que está subjacente às suas afirmações, e que já percebi logo no início, não é a tolerância mas o relativismo moral e intelectual, muito característico da Modernidade. Não conte comigo para isso. Como escreveu Gray em Gray's Anatomy, a respeito de Hayek, "a modern conservative must be a moral and intellectual radical".

Por último, o segundo reparo é à sua presunção ignorante: "Pelo menos não considerou o socialismo uma ideologia totalitária e escravizante do indivíduo. Um pequeno progresso." Juro que tive que me conter para não soltar uma gargalhada. Quer mesmo discutir isto? É mais que óbvio que o socialismo é uma ideologia totalitária e escravizante do indivíduo. Quando quiser discutir isto a sério, avise.

Bene tibii

Habitualmente fico-me pela tréplica, este post será uma espécie de articulado superveniente. A subtileza não será umas das minhas características, se quero dizer uma coisa digo-a, porque prezo a minha liberdade e a inerente responsabilidade. Aliás, pura e simplesmente reutilizei o seu exemplo de bem intencionados que abarrotam o Averno. Seria uma insinuação da sua parte?

Por ser um blogue que reúne vários quadrantes ideológicos, apreciei a forma inusitada como começou por «lançar alguns temas para a “mesa”», para agora os retirar. Sintomático nalguma direita. Pelo menos não considerou o socialismo uma ideologia totalitária e escravizante do indivíduo. Um pequeno progresso.

Vamos discutir algo importante como o actual estado do país, mas daqui a pouco não volte a retirar o tema da mesa, porque vai tornar-se confuso.

Deixo-lhe um alerta, os debates vão ser complicados. Andam por ai pessoas a escrever que socialistas, como eu, tendem a combater a liberdade com as suas ideias cheias de boas intenções mas desligadas da realidade.