segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Lisboa e o Fim da Guerra Fria


Muita tinta tem corrido na imprensa portuguesa graças ao aparato que a Cimeira da NATO trouxe a Lisboa. Contudo, caros colegas e caros leitores, devo confessar que muito me entristece a superficialidade e a externalidade com que os nossos media têm abordado os acontecimentos dos passados dias 19 e 20. Parece-me que o interesse pela blindagem dos carros, pelo ginásio no avião do Sr. Obama ou pela inconveniente tolerância de ponto tem prevalecido sobre a importância histórica que esta Cimeira representa.
Lisboa tornou-se o palco de um novo ciclo de relações NATO-Rússia e prova disso é a aprovação do Novo Conceito Estratégico, onde a Rússia deixa de se constituir como o inimigo tradicional da Aliança Atlântica. A envolvência de Moscovo em questões tão importantes como a criação do escudo antimíssil é mais um sinal de reset nas relações entre os antigos rivais da Guerra Fria e vai de encontro aos esforços desenvolvidos pelo Presidente Barack Obama, responsável pela negociação do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START) com a Rússia.
Mesmo após a queda do Muro de Berlim e posterior desagregação das repúblicas soviéticas, a frieza e desconfiança nunca abandonaram as relações Washington-Moscovo. Em Lisboa, as duas potências parecem ter percebido que a ausência de diálogo e compromisso entre ambos poria em causa a eficácia do combate às ameaças da Nova Ordem Mundial, nomeadamente a luta contra o terrorismo pan-islâmico e a proliferação das armas de destruição maciça. O 11 de Setembro e a insegurança globalizada assinalaram uma oportunidade para a reinvenção da NATO e permitem agora que a organização se adapte aos novos desafios e circunstâncias do século XXI.
A escolha da ocidental praia lusitana como berço do Novo Conceito Estratégico é mais do que deliberada: em 1952, o Conselho do Atlântico Norte reuniu-se pela primeira vez em Lisboa, onde a coligação fundou a sua estrutura militar permanente e adquiriu credibilidade para poder impor a sua vitória pacífica na Guerra Fria, e, com o Tratado de Lisboa, a UE preparou-se para assumir novas responsabilidades na segurança internacional. Daí que o canto mais ocidental europeu assinale o impulso de uma pareceria estratégica EU-NATO cada vez mais próxima e empenhada.
Para contrariar o motto que tem vindo a cobrir os muros e as bocas da cidade de Lisboa, não há maior contradição do que esta junção de palavras “Paz Sim, NATO Não”; é a própria história que nos presenteia com 60 anos de paz e segurança que a NATO garantiu na Europa e que desembocou no processo de integração europeia.
O terrorismo, o cibercrime, as tiranias e a proliferação de armas de destruição maciça persistem como ameaças que estão em cima da mesa para os próximos anos e sentenciam os dilemas existenciais da Aliança Atlântica. Em Lisboa, a NATO revitalizou-se e vincou o seu novo papel na cena internacional e, sem abdicar da Rússia como uma das principais parecerias estratégicas, evidenciou que o mundo, definitivamente, deixou de ser bipolar.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

FMI sem extremismos

Na tentativa de adjectivar o papel do FMI como possível interveniente na Economia Portuguesa a situação tem sido colocada num continuum que tem no seu extremo esquerdo “Monstruoso” e no seu extremo direito “Salvador”. Muitos dos que se têm ouvido arriscar situar um ponto têm sentido uma inexaurível atracção pelo pólos. Na minha perspectiva existe aqui uma dramatização evidente, quer positiva quer negativa. Confrontado com este continuum posiciono a minha análise estritamente no centro, mas incrivelmente para alguns isto não quer dizer que não tenha uma posição clara sobre a necessidade ou não da entrada do FMI em Portugal. São duas coisas distintas: entrada, sim ou não, avaliação da entrada, entre a catástrofe e a salvação.

Comecemos por fazer um esforço de compreensão das várias posições. Aqueles que exibem uma visão mais catastrófica, consubstanciam-se numa base menos Económica, menos racional e complexa e por isso mais poética e fácil de vender. Os argumentos giram em torno da perda da soberania nacional para as instituições internacionais e o descrédito dos decisores confirmada a incapacidade de resolvermos os nossos problemas por nós. Alguns, apesar de tudo, utilizam uma argumentação mais objectiva, contestam a dureza do choque económico de um conjunto de políticas impostas e decididas longe da economia real sem as devidas preocupações sociais e sem um pensamento estrutural, servindo-se aqui de exemplos históricos.

No outro extremo muitos têm reivindicado um papel de salvação nacional para o FMI. A análise recorre mais vezes a argumentos mais claros. Em primeiro lugar, teremos que renegociar cerca de 20% da nossa dívida no primeiro semestre do próximo ano, e fazê-lo a 6% poderá ser, e agora sim, catastrófico. Uma renegociação 2 p.p. ou 2,5 p.p. abaixo poderá colocar-nos, no que à dívida pública diz respeito, numa situação bem mais favorável mesmo quando comparada com o que temos vindo a pagar nos últimos anos. A isto acrescem o efeito de credibilização sobre os mercados que transportam as políticas implementadas pelo FMI, e tal como em 1982/1983, a possibilidade de gerarem-se em, termos políticos, os incentivos certos para que as politicas pouco eleitoralistas tenham lugar sem um impacto demasiado negativo na reputação do governo; o efeito “inimigo público”.

Finalmente, há quem arrisque elencar benefícios do conhecimento da situação da Economia Portuguesa que decorrem do facto de figuras de topo no FMI como Olivier Blachard e António Borges, estarem de facto muito próximas da nossa realidade.

Ora se é verdade que visão fatalista é essencialmente populista, sendo por isso mais difícil de convencer-nos de forma objectiva, acaba por recorrer a um ponto chave: o FMI pode criar incentivos para o desenvolvimento das reformas estruturais que Olivier Blanchard já identificou, mesmo que seja por imposição, mas não irá garantir a sua implementação por completo, não será o Salvador. As intervenções de 1982/1983 foram um sucesso, Portugal corrigiu uma situação orçamental gravíssima, mas 15 anos depois recomeçaram-se a cometer erros já vistos. Não houve aprendizagem mas indisciplina política.

Está aqui identificada primeira parte da questão, o porquê deste posicionamento no centro.

Precisamos do FMI? Acho que não sendo condição absolutamente necessária para sairmos desta situação, poderá contribuir muito favoravelmente criando as condições para que possamos resolver os nossos problemas a longo prazo. E acrescento, se tomarmos nós a iniciativa de solicitar esse auxílio, do ponto de vista negocial, as condições de estabilização orçamental impostas poderão ser mais suaves.

As necessidades de reformas estruturais estão identificadas por muitos. Mas sem a vontade e compromisso políticos, não irão avançar de forma coerente. Essa obrigação permanecerá do nosso lado.

(Mais à frente retomarei este tema das reformas estruturais)

Cumprimentos.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Apresentações

Com o ingresso da Ana Correia e do Luís Diogo, o primeiro lote de colaboradores do Zona de Decisão. O Luís já fez a sua apresentação, cumprirá dar algumas notas sobre a Ana Correia: A Ana é estudante na Faculdade de Direito de Lisboa, mas encontra-se, neste momento, no Rio de Janeiro, ao abrigo do Programa Sócrates. É militante da Secção B (Em Lisboa) da JSD, e já teve uma participação no associativismo, já que fez parte do gabinete de apoio ao primeiro ano na AAFDL. É do Sport Lisboa e Benfica e adora cinema.  
Ainda não tinha aqui dado nota dos dados biográficos da Raquel Baptista Leite: A Raquel é estudante de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. A Nível político, é vice-presidente da JSD/Cascais e porta-voz do grupo de membros da Assembleia de Freguesia da Parede, eleita nas listas da coligação Viva Cascais (PSD/PP). Faz parte do movimento “Equipas de jovens de Nossa Senhora”. Gosta de Ballet.
Feitas as apresentações, cumprirá dizer que este grupo poderá ainda ter mais uma aquisição no futuro próximo. Depois, posteriores reajustes só daqui por alguns meses. Ainda, devo lembrar que podem ser convidados pessoas que por uma ou outra razão se destaquem, a escrever um texto neste espaço, abrindo-se, nessa altura, os espaços de colaboração pontual.

Apresentação

Meus caros,

Em 1º lugar, venho agradecer o convite que me foi endereçado pelo Pedro Correia e materializado pelo Tiago Mendonça. Espero poder contribuir um pouco com a minha experiência para o interessante debate que preconizo que venha a existir neste blogue.

Para já deixo uma pequena apresentação.

Sou licenciado em Economia pela Universidade Nova de Lisboa.A minha experiência profissional foi principalmente no sector da banca e foi desenvolvida internacionalmente no Royal Bank of Scotland em Amesterdão.Trabalho actualmente na Vodafone Portugal no Dept. de Estratégia e sou militante da JS Baixo Alentejo, embora não praticante. Sou liberal a nível económico e social, coisa rara nos dias que correm. Que mais posso dizer sobre mim? Bem, já vivi no Médio Oriente e, em tempos, fui dos melhores jogadores de berlinde de que há memória na bonita cidade de Beja.

Um bem-haja a todos.

Luís Diogo

domingo, 14 de novembro de 2010

Escrevi este texto num comentário no Blogue "Psicolaranja", em defesa da Livre Militância.

Defendo a livre militância há muitos anos. Levantei o problema em Conselho Distrital há 3 ou 4 anos, levei a questão ao último Congresso Nacional, e voltei a sugerir isso mesmo recentemente.
         Em condições normais, a livre militância, não seria provavelmente necessária. Conhecendo a JSD, parece-me imperativo. Isto, porque como sabemos, 70 ou 80% das secções não estão minimamente activas. Um militante, que viva na área de secção da Secção X e estude na área de Secção Y, pode ter a impossibilidade ser activo na JSD, porque essas duas secções, simplesmente não fazem qualquer tipo de trabalho político. Por outro lado, pode acontecer que eu conheça um conjunto de pessoas na minha Faculdade, que estão motivadas a entrar na JSD, mas que perfilham do projecto político que idealizo para minha secção, mas não concordam absolutamente nada com o projecto político (se existir) da secção correspondente ao estabelecimento de ensino que frequentam. Acabam por não participar na JSD. Ou ainda, um terceiro caso, que posso falar com exactidão: Hoje um aluno da Escola Vasco da Gama (Escola Básica – portanto, abrangendo-se militantes de 14 anos) está na área da secção Oriental. Contudo, se a escola fosse 200 metros ao lado, já poderia militar em Moscavide. Supondo que Moscavide era uma secção activa e a Oriental não, faria algum sentido obrigar-se esse militante a, simplesmente, não ser militante activo? Pior, no caso concreto, esse aluno está a 3 minutos de carro da sede de Moscavide e muito mais longe da sede da Oriental.
         Agora, tudo isto perde um pouco de importância, senão existir alargamento aos maiores. Ou seja, apenas e só os menores se podem inscrever numa qualquer secção à sua escolha: Isto comporta o problema, de esse militante, obrigatoriamente, ter que deixar a sua secção quando completa 19 anos, o que leva a que não crie um verdadeiro vínculo com essa secção. Para além disto, o leque de casos em que isto se poderia aplicar é muito menor, já que as Universidades ficam fora do âmbito de aplicação, sendo que era precisamente aqui que esta medida fazia mais sentido: O militante do Alentejo que vem estudar para a FDL, mas que conhece o presidente de uma secção de Sintra muitíssimo activa, com um projecto em que se revê, não tendo qualquer secção em Lisboa em que queira participar ou sequer que o convide a participar.
         Por outro lado a livre militância tem que ter sempre limites: Eu na altura propus, a obrigatoriedade de permanência nessa secção durante um período mínimo de 3 anos (evitando as brigadas eleitorais), a impossibilidade de trocar mais que duas vezes de secção (com o mesmo objectivo) e uma secção não poder ter mais de 1/3 do número total de militantes não pertencentes (originariamente – isto é que, que não residam, trabalhem ou estudem na zona da secção em que se inscrevem) à sua zona de secção, de forma a que não exista uma descaracterização das secções, evitando o caso de, por exemplo, uma qualquer secção de Sintra ter mais militantes de Paços de Ferreira do que de Sintra.
         Existe, no entanto, uma vantagem residual, que tem que ver com a intervenção da JSD em associações de estudantes. Uma secção muito activa, poderá alargar a sua base de apoio e de intervenção no Ensino Básico e Secundário, interagindo com algumas escolas fronteiriças, e podendo ai alargar a sua base de militantes com alguns alunos dessa escola fronteiriça que se queiram inscrever, nunca ultrapassando o tal limite de 1/3 do número total de militantes da sua secção. Assim, uma secção que se sinta mais à vontade para fazer militantes dessa escola fronteiriça, se quiser aumentar o seu número de militantes teria que, fazer trabalho na sua área, e aumentar mais que proporcionalmente o número de militantes no seu Concelho.
         Dizer ainda, que o número de militantes menores da JSD a nível nacional é baixo, no Distrito de Lisboa, por exemplo, é mesmo muito baixo. As secções devem ter inscritos 0,000001 dos militantes menores em comparação com o número de alunos das suas escolas secundárias. Em Lisboa (Concelho) esta medida não terá grande impacto, já que se podiam inscrever militantes livremente de todas as escolas secundárias em Lisboa. Com este target, não acho que nenhuma secção tenha necessidade de ir fazer militantes à Azambuja. Mesmo em Concelhos com menos Escolas Secundárias, como Loures por exemplo, o número de militantes menores em comparação com o número de alunos é muitíssimo diminuto, pelo que a medida acaba por não ter uma aplicabilidade grande, permitindo, creio eu, um imput de qualidade nas secções. Com o alargamento desta realidade aos maiores aí sim, poderíamos ter uma grande inversão na “matemática” dos Distritos e do País, sempre, quanto a mim, precavida pela regra do 1/3 – 2/3. Mas, talvez mais justiça.
         Compare-se a vasta rede de Universidades à disposição da secção B, por exemplo, e das secções de Loures, que não têm qualquer Faculdade onde possam “recrutar” novos quadros. Essa realidade, provoca uma desigualdade de oportunidades, que poderia ser combatida com essa livre militância, podendo os alunos dessas faculdades inscreverem-se onde quiserem.

Breve comentário às Eleições da JSD/Lisboa

A Comissão Política da JSD/Lisboa foi hoje eleita com 121 votos a favor, 11 nulos e 51 votos brancos. Não me vou pronunciar, sobre a solidez deste resultado, porque a partir de hoje, como disse há uns dias atrás, cumpre colaborar com a distrital agora eleita. Todos os militantes do Distrito de Lisboa, devem dar o seu melhor para ajudar a Joana e a sua equipa a vencerem os desafios que vão ter pela frente. Só dessa forma, com a consciência tranquila, se poderá apontar, no futuro, eventuais falhas, e propor caminhos alternativos.
Quanto à constituição da equipa, que apenas na Sexta-Feira fiquei a conhecer na íntegra, não vou perder tempo a salientar o que eu faria diferente, ou as escolhas que não entendo ou não concordo. Não é esse o momento. Prefiro salientar, a relação de respeito e cordialidade que tenho com a Patrícia Leitão, de amizade com Diogo Agostinho e as boas referências que tenho do André O’Neill, para a eles, à Joana e a toda a equipa desejar um excelente mandato.
Este desejo é, obviamente, igualmente extensível à Mesa do Conselho Distrital, eleita com 155 votos a favor, 6 nulos e 28 brancos, que, presidida pelo Ricardo Júlio Pinho, oferece as garantias de imparcialidade e de boa condução dos trabalhos, realidades absolutamente essenciais, para o mandato que se segue.

Boa sorte!

sábado, 13 de novembro de 2010

Uma nova abordagem ao Ambiente

As questões ambientais estão sem dúvida na berra. Hoje em dia existem telemóveis carregados a energia solar, carros "limpos", empresas de redução da pegada carbónica e índices de sustentabilidade na bolsa.

As políticas ambientais definiram uma espécie muito própria de fazer política. Têm os seus próprios princípios, as suas limitações técnicas e financeiras, a sua questão de interesse público entre muitas outras particularidades. Mas infelizmente as questões ambientais sempre foram e ainda são vistas como programas de radicais, ou de mentes ultra-liberais, cuja principal limitação é a de olhar somente para a Natureza e não para as questões humanas no seu todo. Aliás, ao pensarmos num "Ambientalista", a larga maioria de nós pensa num hippie mal vestido e de barba longa acorrentado a uma árvores com um sinal a dizer "Salvem as baleias!" ou algo assim, e não num Carlos Pimenta ou num Macário Correia.

Sem dúvida, o principal problema das questões ambientais são os seus preconceitos. Ora quem está de fora acha que é algo necessário, em que se deve gastar um pouco de dinheiro para termos florestas bonitas, ora quem está por dentro cerra-se muitas vezes numa cápsula de isolação, em que apenas conta o Ambiente. Para a maioria dos nossos legisladores, conservar a Natureza significa expulsar as pessoas de lá. Para outros, a água é necessariamente um bem público e não um bem comum, levando a uma situação totalmente insustentável. Outros afirmam com toda a certeza que temos uma excelente politica energética, quando nem sabem distinguir electricidade de energia.

Felizmente pouco a pouco existem movimentos que tentam contrariar isto, e tratam o Ambiente exactamente como deve ser tratado: algo do qual nós fazemos parte e que devemos tratar bem para que "sejamos igualmente bem tratados". Uma posição responsável e que saiba que ser "ecológico" compensa!

Quanto é que se poupava ao apostar na eficiência hídrica? Ou reabilitação urbana com medidas energéticas correctivas? Ou em tratamento efectivo de resíduos? Ou em ecologia industrial? Quanto é que se poupava ao reciclar todo o papel da administração pública? Ou em ter edifícios energéticamente eficientes e independentes?

Muitas empresas já começaram a aplicar medidas ambientais tendo em vista a redução de despesa. Basta ler o Diário Económico para conhecer alguns exemplos. Infelizmente os nossos políticos não....

Quando fundei a Ecozoic pensei exactamente neste tipo de mentalidade. Quando entrei para a JSD a mesma coisa, e o mesmo se passou quando aceitei o convite de ser contribuidor para este blogue. Como tal, aquilo que posso humildemente prometer é que os meus posts serão nesta linha de pensamento.

De pensar Ambiente com Humanidade, de ver Energia como um todo, de associar Economia a Ecologia. Sou contra quaisquer tipos de radicalismos ou mentes fechadas. O que quero aqui promover e deixar são novas soluções e propostas. A qualidade destas caberá ao leitor decidir.

Espero não desiludir!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ensaio da tarde...


A coisa até correu bem. O guião não tinha erros ortográficos. Morreram algumas pessoas, a peça era sobre liberais, monárquicos, conservadores e liberais. Um mix de semelhanças e coerências.

Da hipocrisia dos simultâneos defensores e coveiros do Estado Social

A não perder, um excelente ensaio de Mário Pinto, Professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, no mais recente número da Nova Cidadania, intitulado "Estado Arbitrário ou Estado Subsidiário", de que aqui dou nota numa breve passagem:

"(...) é surpreendente o sentido das recentes reformas governamentais do «Estado Social», no nosso País, que praticamente se resumem em reduzir os benefícios aos cidadãos. Por exemplo: na Segurança Social, com redução de pensões e subsídios; no Serviço Nacional de Saúde, com reduções nas comparticipações nos medicamentos; não esquecendo o que foi a redução dos benefícios na educação escolar, com a reforma de Bolonha, que retirou substancialmente do regime favorável das propinas das licenciaturas quase metade dos anos das antigas licenciaturas, ao passarem para os mestrados. Todos estes cortes, e outros, incidindo naquilo que é o essencial do «Estado Social», ou seja, nos benefícios sociais, foram executados alegadamente em nome da viabilização financeira do Estado Social - portanto, em sua defesa. Porém, nem uma só medida merece destaque como redução do estatismo burocrático e gastador descontrolado, como desmonopolização racionalizadora das grandes máquinas estatais do «Estado Social».
Pior ainda. Se (mesmo sem pôr em causa a garantia dos benefícios nem a sua dimensão) alguma medida é proposta em favor da liberdade de escolha dos utentes ou da igualdade na oferta dos concorrentes privados - e portanto no sentido da desmonopolização e de uma concorrência mais racional e leal - logo os defensores dos monopólios públicos gritam que está em causa o «Estado Social». A ponto de acusarem (e até insultarem com juízo de intenções) as iniciativa reformistas, por pretenderem o «recuo do Estado Social». Quer dizer: reduzir as prestações não é fazer recuar o «Estado Social», mas reduzir o monopólio estatal isso é fazer recuar o «Estado Social». Fica à vista em que consiste o avanço do «Estado Social»: não é no avanço das prestações; é no avanço da estatização."

Declaração sobre as Eleições na JSD/Lisboa

No próximo Sábado, entre as 15h30 e as 18h30, realizam-se as eleições para a Mesa e para a Comissão Política Distrital de Lisboa da JSD. Apresentam-se a votos, como candidato a presidente da mesa, o meu amigo Ricardo Júlio Pinho, actual presidente da JSD/Oeiras e Vereador na Câmara Municipal de Oeiras e, como candidata, à presidência da comissão política distrital de Lisboa, a companheira Joana Barata Lopes.
         A Secção de Moscavide, à qual tenho a honra de presidir, não integrará nenhuma das duas listas que vão a votos, no próximo sábado, o que não significa que não exista uma predisposição a colaborar com os órgãos que agora vão ser eleitos. Seremos iguais a nós próprios: Colaborar sempre, elogiar sempre que for merecido, criticar sempre que discordarmos das opções tomadas, mantendo, inevitavelmente, uma cooperação institucional excelente, em nome do interesse dos jovens do Distrito de Lisboa.
         Nos últimos dois anos, foi isso que fiz. Crítica quando considerei que era ajustado faze-lo, elogio sempre que isso se adequou. Acho que a Comissão Política Distrital, liderada pelo Paulo Pereira, realizou algumas iniciativas que considero terem sido benéficas, como é o caso da Actividade direccionada para a temática cultural com a comissão política ainda em exercício fechou o seu mandato, bem como, os Conselhos Distritais Temáticos, que foram realizados. Errou, claramente, na incapacidade para dinamizar a Coordenadora do Ensino Superior e a Coordenadora do Ensino Básico e Secundário, que, simplesmente, não existiram. Em Conselho Distrital, critiquei este último aspecto, elogiei as iniciativas positivas que tive oportunidade de referir.
         Vivemos hoje um momento muito delicado para as Juventudes Partidárias em Geral, para a JSD em particular. Um momento de afastamento dos jovens, por culpa dos agentes políticos. Pela falta de credibilidade, que aqueles que, consecutivamente, chegam à Zona de Decisão, evidenciam no desempenho dos cargos para os quais foram eleitos. Mas também, por não se ter a coragem de penalizar quem prejudica a estrutura e beneficiar, verdadeiramente, quem dá o seu melhor no serviço da juventude, no caso, do Distrito de Lisboa.
         A Joana Barata Lopes e a sua equipa (que se deve conhecer nas próximas horas), têm pois um enorme desafio e uma grande responsabilidade pela frente. Por outro lado, têm hoje condições absolutamente excepcionais, para o desenvolvimento desse trabalho, podendo a Joana escolher a equipa, obedecendo a critérios somente qualitativos, já que não teve lista adversária. São condições impares, que parecem ser garante de um mandato bem sucedido, mas ao mesmo tempo, aumentam o nível de responsabilidade.
         Seria injusto, não dar uma palavra ao Grupo Ganhar uma Geração, que julgo ter desempenhado um papel importante no contexto distrital, pelo menos, no último ano. A apresentação de um programa para o Distrito, considerado pela globalidade das pessoas, como um programa com qualidade e abrangente das várias áreas de sensibilidade dos jovens do Distrito de Lisboa, em Setembro de 2009, e a realização de diversas iniciativas, como é o caso do Debate sobre a Energia Nuclear realizado em Oeiras, faziam antever que o Grupo Ganhar uma Geração teria todas as condições para edificar uma candidatura sólida e, potencialmente, vitoriosa.
         Essa dinâmica de trabalho (e de vitória) foi abruptamente interrompida, em Abril passado, momento em que, na minha opinião, o Grupo Ganhar uma Geração acabou. Outros considerem, que o grupo terá terminado em Setembro. Uma certeza existe: O Grupo Ganhar uma Geração não conseguiu apresentar uma candidatura a estas eleições. Não é o momento de atribuir culpas. O Processo Eleitoral, apenas tem a sua conclusão no próximo Sábado, e apenas no seu final, farei uma reflexão profunda sobre tudo o que se passou, e depois, a frio, procederei a uma análise objectiva dos acontecimentos dos últimos meses, não com a finalidade de recriminar ninguém, mas de evidenciar o caso de estudo que este Grupo foi. Nas boas coisas que teve, e nos exemplos absolutamente repugnantes que também viveu.
         Este é portanto o momento, de todos os militantes do Distrito de Lisboa, darem, pelo menos, o beneficio da dúvida à Comissão Política que no Sábado vai ser eleita. De se apresentarem disponíveis a uma cooperação institucional excelente, contribuindo, com os seus reparos, para que o mandato seja o melhor possível. Não devemos querer que as coisas corram mal aos outros, só para podermos criticar, e dizer que faríamos melhor. Devemos querer que tudo corra bem, para que “no final do dia”, possamos dizer isto foi bom, e, eventualmente, afirmarmos que podemos fazer ainda melhor.
         Termino este breve tópico, que entendi apenas dar depois da entrega de listas, agradecendo a todos aqueles que me acompanharam ao longo dos últimos anos, em que julgo ter contribuído positivamente para o Distrito de Lisboa. Seja na feitura do Programa Ganhar uma Geração, seja nas Moções que apresentei, seja nas intervenções em Conselho Distrital que fiz. Agradeço a todos os que mesmo nos momentos difíceis, em que era mais fácil abandonar as convicções e os valores em que acreditavam, se mantiverem fiéis a esses valores e aos compromissos assumidos. A todos aqueles, que por mais que uma vez me manifestaram apoio, solidariedade e me incentivaram a tomadas de decisões variadas. Muito lhes agradeço, e peço desculpa, como já o fiz em intervenção pública no referido Conselho Distrital, por não ter podido corresponder às expectativas que alguns auguravam.
         Agora é o momento de todos trabalharmos. Nas Secções, quem está encarregue da sua direcção, na Distrital os orgãos que serão eleitos no próximo Sábado, e na Nacional, os orgãos que vão ser eleitos no final do mês de Novembro. Todos a trabalhar, sem ressentimentos e sem mágoas. Também sem esquecer, e sem deixar de lembrar. Convergindo e Divergindo, respeitando apenas as nossas convicções e os nossos valores. Percebendo que os nossos adversários políticos estão fora da JSD e não dentro, e que mesmo com esses, como este Blogue evidencia, é possível trabalhar em conjunto, porque o que nos une é o mesmo: Fazer mais e melhor para e pela juventude do nosso país.
         Até breve!

In fine

Não é a dicotomia entre se estudar “o que é” e o que “deve ser” que é importante, é a aplicação prática. Já percebi que gosta de ciência política, de filosofia e teoria.

Tem razão meu caro, é importante alargar horizontes. Sugiro que se filie num partido, que avance para o combate político na rua, que se aperceba das dificuldades dos portugueses. Faça um porta a porta, visite regiões do interior e perceberá que a política é muito mais que um jogo de boas intenções, de belos textos e bons debates. Tente que as pessoas votem na sua causa e vai perceber que por muita ciência política, filosofia e teoria que tenha, elas valerão de bem pouco.

Avance para o terreno e vai perceber que afinal socialista, comunistas e bloquistas não são desligados da sociedade. Na verdade, estão bem ligados à sociedade, prova disso é a crescente representatividade de partidos como o PCP e BE – meus adversários políticos por natureza e temo a sua crescente representatividade. Representam mais de 17% da população portuguesa, discordo profundamente das suas posições, mas não subestimo adversários. Sabe, é que as pessoas exercem o direito de voto na plenitude da sua liberdade.

Vamos discutir algo importante como o actual estado do país – é a segunda vez que escrevo isto e não reentarei mais neste debate. Reafirmo, que apenas salientei a minha tolerância: Assumo a minha liberdade e tolero a dos outros, as suas convicções e as suas opiniões.

P.S. Um dia podemos juntar-nos numa esplanada a contar piadas, também sei umas quantas sobre monárquicos, liberais e conservadores. Mas não o vou fazer aqui, sairia fora das intenções da criação deste blogue.

Pedras...


Pedras no Caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…
Augusto Cury


Sobre este post, apesar de ser socialista, filiado desde os 18 anos, não fico nada ofendido, não me ofende quem quer, só me ofende quem eu entendo que merece ofender-me, pois concebo a prática do debate de ideias e das opiniões, seja na política ou fora dela, como algo que tem que ser feito com o respeito que os outros nos merecem.

Uma questão de Humanidade

Aminetu Haidar, activista dos Direitos Humanos, está em Portugal. Esta semana cumprirá uma agenda de visitas a várias instituições desde a Universidade de Coimbra à Assembleia Municipal de Lisboa. Encontrar-se-á também com militantes da luta pela auto-determinação do Sahara Ocidental, actualmente administrado por Marrocos. A passagem da activista acontece quase um ano depois da greve de fome contra o regime marroquino que a impedia de regressar à sua terra natal, vinda de Nova Iorque, onde recebeu o prémio de Direitos Humanos Robert F. Kennedy. Durante uns longos e penosos 32 dias, Aminetu Haidar colocando a sua vida em perigo em nome da auto-determinação do povo saharauí, permaneceu no Aeroporto de Lanzarote, num protesto que não só atraiu a atenção da comunidade internacional para a causa em que acredita como a lançou para uma vida mais díficil dado os danos físicos permanentes que 32 dias de fome lhe causaram.

A sua visita reveste especial importância quando, esta semana, o El Pais e o El Mundo relatam a invasão de um acampamento no Sahara Ocidental, por parte das forças de segurança de Marrocos. Num destes locais onde se contabilizavam aproximadamente 7 mil tendas e 20 mil pessoas, as forças de segurança marroquinas, segundo estes diários espanhóis, deram entrada durante a madrugada, utilizando gás lacrimogéneo e canhões de água, tendo em seguida incendiado centenas de tendas. Há, ainda, relatos que desde o passado Domingo as forças de segurança de Marrocos bloquearam a entrada nesse acampamento junto à capital do Sahara Ocidental, El Aiun, provocando confrontos entre manifestantes e a polícia. Fontes no local referiram a agências noticiosas que mulheres e crianças recusam-se a abandonar o acampamento por temerem pela vida dos seus maridos e pais.

É importante que a comunidade internacional esteja atenta à situação na região. Por um lado, Espanha, pelas razões históricas e de antiga potência colonizadora, e por outro, Portugal, membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ambos países claramente defensores dos Direitos Humanos, devem utilizar sua influência, quer no contexto da União Europeia, quer no contexto das Nações Unidas, a fim de repor a normalidade no Sahara Ocidental.

Portugal não deve fingir que nada se passa aqui tão perto. Nem deve por razões económicas abster-se de exprimir os princípios e os ideais que sempre fizeram parte da sua carta magna e que ao longo dos anos orientaram o país e a sua acção. Termino, elogiando a coragem e a determinação de Aminetu Haidar, quando no Mundo e nos dias em que vivemos poucos exemplos temos de sacrifício e de empenho pelas causas colectivas.

O início

Bom dia a todos,

É com enorme satisfação que vejo a materialização deste forúm, idealizado por mim e pelo Tiago já há alguns meses a esta parte e que pretende responder a uma necessidade que identifico de se colocar à discussão problemas do país real, apresentar soluções fortes e na abrangência encontrar uma decisão, um caminho. Vivemos num momento crucial da História de Portugal, um traçado de erros sucessivos desenhado nas últimas décadas colocou-nos numa situação limite: Se na próxima década não concretizarmos as reformas estruturais essenciais e transversais a todas as áreas da sociedade portuguesa, com elevada probabilidade estaremos a divergir da Europa, no crescimento e desenvolvimento económico, durante os próximos séculos.

A qualidade está presente, como refiro habitualmente, os Portugueses não só são capazes de igualar o melhor que lá fora se faz como de superar. A NOVA que vai representando a excelência do ensino da Economia em Portugal pela Europa, tem sucessivamente, no âmbito dos programas de intercâmbio, os seus alunos a superar os melhores resultados nas melhores faculdades. Temos figuras brilhantes que em todas as àreas da sociedade, sem excepção, estão em paridade com o topo da Qualidade Mundial.

Se acompanhamos o "state of the art" individualmente porque não o fazemos em conjunto? É esta a questão que devemos resolver, e só a poderemos alcançar com abrangência, descomprometimento de interesses secundários, e com decisões agora.
Vejo neste espaço a capacidade e creio que se se mantiver o foco necessário poderemos elaborar algumas das resoluções que precisamos.

Posto esta introdução peço as minhas desculpas a todos pelo atraso com que me início no blog, mas as jornadas de trabalho para lá das 22h têm se sucedido, absorvendo, por isso todo o meu tempo, e impedindo-me de acompanhar este arranque na discussão.

Agora sim, segue a minha curta apresentação:

Pedro Correia, 22 anos. Concluiu o Curso de Economia e Mestrado em Gestão com especialização em Estratégia ambos pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, o último com uma classificação final de 17, quer na parte lectiva quer na Tese de Mestrado. Actualmente desempenha as funções de analista de negócio na Direcção de Estratégia da Vodafone Portugal bem como é Director de Parcerias da WACT (ONGD Portuguesa). A nível político assume os cargos de Membro da Comissão Política da JSD Secção de Moscavide, é Conselheiro Distrital da JSD Lisboa e Membro da Assembleia de Freguesia da Portela. Viveu 6 meses em Estocolmo onde teve a oportunidade de estudar no Departamento de Economia da Stockholms Universitet. A forma mais fácil de o encontrar..Numa corrida depois do trabalho entre o Cais da Matinha e o Parque Tejo em Lisboa!

Ps: peço desde já a compreensão para algum erro ortográfico que possa ter passado agora e no futuro, não revi o que escrevi e em próximos momentos é igualmente possível que não o tenha o tempo para o fazer. Com as ideias, essas, garanto atenção total!

cumprimentos